Julgamento no TRE pode devolver mandato e revirar a situação de Neno Razuk
Ação questiona retotalização que tirou cadeira do PL e levou João César à Aseembleia Legislativa
m dezembro do ano passado, Neno Razuk conversa com Júnior Mochi durante a CCJ CAMPO GRANDE NEWS
Apresentada por Neno e pelo diretório estadual do Partido Liberal (PL), a ação tenta derrubar o ato que determinou a retirada de votos da legenda e a retotalização das eleições de 2022. O novo cálculo fez o partido perder uma cadeira e permitiu que João César Mattogrosso (PSDB) assumisse a vaga anteriormente ocupada por Neno.
O julgamento, porém, não significa que o mandato será automaticamente devolvido. O resultado dependerá do alcance da decisão do tribunal e dos recursos que ainda possam ser apresentados.
Se o mandado de segurança for rejeitado, João César permanece no cargo e fica mantida a retotalização realizada em maio. Caso o pedido seja aceito, o TRE-MS poderá anular ou suspender o ato questionado, o que abriria caminho para recuperar a composição anterior da Assembleia Legislativa.
RETIRADA DOS VOTOS
A mudança no Legislativo ocorreu depois da anulação de 32.566 votos recebidos pelo ex-deputado federal Loester Carlos Gomes de Souza, o Tio Trutis, e pela ex-esposa Raquelle Lisboa Alves Souza nas eleições de 2022.
Os dois foram condenados por irregularidades envolvendo R$ 776 mil do fundo eleitoral. A decisão foi mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e provocou a retirada dos votos usados no cálculo das vagas proporcionais.
No caso da Assembleia, foram excluídos os 10.782 votos obtidos por Raquelle. Sem essa votação, o PL deixou de atingir o resultado necessário para conservar sua última cadeira. O PSDB passou a ter direito à vaga, ocupada por João César.
O PL e Neno sustentam que a decisão contra Raquelle não teria autorizado expressamente a retirada dos votos da legenda. Também alegam que o presidente do TRE-MS não poderia ter ordenado sozinho a retotalização e a anulação dos votos.
O pedido inicial era para suspender o procedimento antes que o novo cálculo fosse realizado.
PRIMEIRA TENTATIVA REJEITADA
Em 20 de maio, os integrantes do TRE-MS rejeitaram por unanimidade o pedido de liminar apresentado pelo partido e por Neno. Naquela análise inicial, o tribunal concluiu que não havia ilegalidade evidente e que a Presidência da Corte tinha competência para executar decisões que resultassem em cassação de diploma.
Os magistrados também consideraram que a retirada dos votos e o novo cálculo poderiam ser consequências do cumprimento da decisão definitiva contra os candidatos. A própria decisão, contudo, registrou que a discussão principal precisaria de uma análise mais aprofundada.
Com a liminar negada, a recontagem ocorreu em 21 de maio. João César foi diplomado no dia seguinte e posteriormente tomou posse no lugar de Neno.
Após parecer da PRE (Procuradoria Regional Eleitoral), o processo foi redistribuído por sucessão e passou para a relatoria do juiz Fernando Bonfim Duque Estrada. A sessão de terça-feira que vem será realizada em formato híbrido.
EFEITO SOBRE A PRISÃO
Uma eventual vitória de Neno na Justiça Eleitoral poderia provocar uma reviravolta política e abrir nova discussão sobre as prerrogativas ligadas ao cargo. Isso, porém, não derrubaria automaticamente o mandado de prisão preventiva.
A ordem foi expedida pelo juiz José Henrique Káster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, em outra ação penal decorrente da Operação Successione. Conforme apurado pelo Campo Grande News, a perda do mandato retirou o obstáculo processual relacionado ao foro privilegiado que existia quando Neno ainda estava na Assembleia.
Ao determinar a prisão, o magistrado apontou risco à ordem pública e a suspeita de que o grupo investigado continuaria em atividade. O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) atribui a Neno uma posição de liderança na organização investigada. Trata-se da acusação apresentada no processo, ainda sujeita à defesa e ao julgamento.






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