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Naviraí - MS,17/09/2026

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Fraudes e dívida de R$ 800 milhões levam a Santa Casa ao colapso

Com rombo milionário, juros altos e cúpula investigada por desvios, hospital enfrenta crise financeira e paralisação de serviços


Fraudes e dívida de R$ 800 milhões levam a Santa Casa ao colapso A Santa Casa de Campo Grande foi alvo de operação do Gaeco na sexta-feira; cúpula está presa

CORREIO DO ESTADO  

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A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, maior complexo hospitalar de Mato Grosso do Sul e referência para o atendimento de urgência e emergência em todo o Estado, atravessa o momento mais dramático de sua história centenária.

O colapso da instituição é impulsionado por uma espiral de endividamento bruto que ultrapassa R$ 800 milhões e por despesas sufocantes com juros bancários, somados a um grave escândalo de corrupção que culminou na prisão da diretoria na sexta-feira.

Os mandados de prisão preventiva atingiram a alta cúpula da entidade investigada por operar esquemas de desvios patrimoniais, fraudes contratuais e lavagem de dinheiro.

Como consequência dessa sangria financeira e institucional, a assistência aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) sofre paralisações diárias, resultando na suspensão de cirurgias eletivas, cancelamento de consultas e desabastecimento de insumos essenciais. 

A relação direta da diretoria com as fraudes foi detalhada pelas investigações do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e da Polícia Civil, que apontaram a liderança da então presidente da associação, Alir Terra Lima, e do diretor administrativo e financeiro, Rinaldo Hakme Romano, na articulação e no direcionamento irregular de recursos públicos e filantrópicos. 

COLAPSO FINANCEIRO 

Enquanto os mandados de prisão contra a diretoria eram cumpridos e a extensão das fraudes vinha à tona, a contabilidade oficial da Santa Casa revelava uma instituição à beira da falência técnica ao encerramento do exercício de 2025. 

O balanço mais recente do hospital, publicado em julho, mostra uma dívida total exigível de R$ 807 milhões. Ela é composta de um passivo circulante (dívida a curto prazo) de R$ 319,4 milhões e de um passivo não circulante (a longo prazo) de R$ 488,18 milhões.

O deficit anual da instituição registrou um crescimento acentuado de 26,6%, passando de R$ 98,36 milhões no encerramento de 2024 para R$ 124,58 milhões ao fim de 2025.

A situação acumulada também é crítica. As dívidas e obrigações da instituição superam seus bens e recursos em R$ 639,47 milhões. No período de um ano, as contas que precisavam ser pagas a curto prazo aumentaram 47,8%, passando de R$ 214 milhões para R$ 319,4 milhões.

Uma fatia considerável desse rombo decorre dos juros e das multas provocados pelos atrasos nos pagamentos. Apenas em 2025, a Santa Casa contabilizou R$ 68,56 milhões em despesas financeiras. Desse total, R$ 51,91 milhões foram destinados ao pagamento de juros bancários e encargos cobrados por fornecedores em razão de atrasos, ante R$ 45,34 milhões no ano anterior.

Ao mesmo tempo, as dívidas fiscais que precisavam ser pagas a curto prazo mais que dobraram, passando de R$ 66,19 milhões para R$ 134,02 milhões. Além disso, os parcelamentos de impostos federais, contribuições previdenciárias e FGTS dos funcionários que não foram recolhidos somam R$ 177,14 milhões. 

Do ponto de vista do caixa, o hospital desembolsou R$ 22,84 milhões em 2025 apenas para pagar juros de empréstimos. 

INVESTIGAÇÃO

A investigação indica que a diretoria manteve contratos milionários mesmo após ser formalmente notificada sobre irregularidades graves. 

O caso de maior repercussão envolveu a contratação da empresa Redvalue para a digitalização de documentos do hospital, que recebeu R$ 750 mil por serviços prestados em fração irrisória da meta estipulada. 

Mesmo alertada pelo Conselho Fiscal da instituição sobre as inconsistências, a presidência insistiu na manutenção dos repasses, prestou declarações inverídicas aos órgãos de controle e opôs resistência às fiscalizações internas.  

O esquema articulado pela cúpula hospitalar envolvia ainda o direcionamento sistemático de contratos da Operadora Santa Casa Saúde Ltda. para empresas pertencentes aos próprios dirigentes, gerando um faturamento superior a R$ 9,6 milhões em um único ano.

A apuração policial identificou transferências bancárias diretas efetuadas das contas desses contratados para a conta pessoal da presidente da instituição.  




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