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Naviraí - MS,16/09/2026

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A operação policial, a defesa e a crise na Santa de Campo Grande

O prejuízo é milionátrio

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A operação policial, a defesa e a crise na Santa de Campo Grande Fachada domprédio da Santa Casa de Campo Grande, o maior hospital de MS

A movimentação policial começou nas primeiras horas desta sexta-feira. Equipes chegaram à Santa Casa para o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Promotores, policiais e agentes circularam pelos corredores do hospital. 

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Malas com equipamentos para extração de dados foram levadas para dentro do prédio e as diligências se concentraram principalmente no setor financeiro. A informação obtida no local foi de que funcionários foram retirados temporariamente da área para permitir o trabalho das equipes.   

A equipe da operação deixou a sede da Santa Casa Saúde por volta das 13h. Agentes do Gaeco e do Gecoc deixaram o local carregando malotes e bolsas com materiais apreendidos. Os volumes foram colocados nos veículos da operação. O MPMS ainda não detalhou se foram recolhidos documentos, celulares, computadores ou outros equipamentos eletrônicos. 

A presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, e outras cinco pessoas foram presas nesta sexta-feira (11) durante a Operação Antidotum, deflagrada para investigar fraudes e desvios de pelo menos R$ 4,9 milhões em contratos ligados ao maior hospital de Mato Grosso do Sul.

Além de Alir, foram presos Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, Rinaldo Hakme Romano, Maurício Aparecido Benites, Alessandro Dias Junqueira e Monique Gregório de Oliveira,

Empresas também foram vasculhadas. O imóvel empresarial na Avenida Mato Grosso, onde funcionam a Dr. Smart Saúde e a Santa Cruz Saúde, foi um dos alvos, além da empresa de tecnologia.

DEFESAS 

Por volta das 12h50, o advogado Leandro Gregório foi à delegacia acompanhar a situação de Monique, sua cliente. Segundo ele, a defesa ainda não havia conseguido acesso à decisão que determinou a prisão preventiva. O advogado afirmou que tentou protocolar a procuração no processo indicado no mandado, mas o sistema ainda não havia liberado os documentos.   

Leandro acompanhou as buscas na casa de Monique e disse que nenhum objeto ilícito foi encontrado. Conforme a defesa, os agentes apreenderam um caderno e um tablet, e as senhas solicitadas foram fornecidas. “Ela está disposta a colaborar com as autoridades e mantém uma postura tranquila, aguardando que a situação se esclareça”, afirmou. 

O advogado Fábio Leandro, que representa Maurício Aparecido Benites, também afirmou que não havia conseguido acessar os autos e a decisão judicial. Ele compareceu à delegacia a pedido da família. Segundo o defensor, o cliente nega ter executado ou cobrado serviços de forma irregular. “O Maurício está tranquilo e afirma que nenhum serviço foi feito de maneira ilegal ou cobrado de forma ilegal. Tudo será comprovado no processo a partir do momento em que ele e a defesa tenham acesso às alegações do Ministério Público”, declarou. 

A defesa do advogado Paulo da Cruz Duarte, que é assessor jurídico da Santa Casa e sócio-administrador da Santa Cruz Saúde, esclareceu que não há ordem de prisão preventiva contra ele nos documentos judiciais acessados até o momento. Segundo a manifestação, foram cumpridos apenas mandados de busca e apreensão no escritório de advocacia e na sede da Santa Cruz Saúde.

Até a publicação desta matéria, as defesas dos demais presos não haviam se manifestado individualmente. 

CRISE 

A Antidotum foi deflagrada enquanto a Santa Casa enfrenta dificuldades para manter serviços e procedimentos médicos. No início de setembro, o hospital voltou a suspender cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais por problemas relacionados à disponibilidade de insumos e à composição das equipes médicas.   

Em novembro de 2025, o MPMS ajuizou uma ação civil pública contra a Santa Casa, o Governo de Mato Grosso do Sul e a Prefeitura de Campo Grande. O processo cobrava um plano conjunto para regularizar os serviços contratados pelo SUS (Sistema Único de Saúde).   

Na época, o Ministério Público apontou falta de medicamentos, dificuldades no fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais, problemas no setor de anestesiologia, superlotação do pronto-socorro e riscos aos atendimentos de média e alta complexidade. 

Nos dias 24 e 28 de agosto deste ano, representantes do MPMS, da Santa Casa e das secretarias estadual e municipal de Saúde participaram de reuniões emergenciais. O objetivo era evitar a interrupção de serviços por falta de medicamentos, gases medicinais, materiais e exames laboratoriais. 

O QUE DIZ A SANTA CASA 

Em nota, a Santa Casa informou que está atendendo às autoridades responsáveis pela operação e permanece à disposição para fornecer informações e esclarecimentos.

A instituição declarou que aguarda acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações e, depois disso, apresentar uma manifestação detalhada. “A Santa Casa reforça que os atendimentos à população seguem normalmente, sem qualquer prejuízo à assistência aos pacientes”, informou. 

O nome Antidotum vem do latim e significa antídoto. No sentido figurado, a expressão representa uma medida destinada a neutralizar um problema. 




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