Fraude milionária causa a prisão da alta cúpula da Santa Casa
Está sendo investigado o prejuízo de R$ 4,9 milhões em contratos de prontuários e do plano de saúde
Alir Terra Lima, no discurso de posse, em 2023 CAMPO GRANDE NEWS
Além de Alir, foram presos Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, Rinaldo Hakme Romano, Maurício Aparecido Benites, Alessandro Dias Junqueira e Monique Gregório de Oliveira, conforme confirmado pelo Campo Grande News.
Alir, que é advogada, foi encaminhada para uma cela especial no Presídio Militar. Paulo Guilherme Mariosa também foi levado para a unidade militar. Os outros quatro presos permaneceram na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada).
A ofensiva também cumpriu ontem 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
A operação foi conduzida pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), com participação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). O Batalhão de Choque da Polícia Militar deu apoio às equipes.
QUEM É QUEM?

Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, um dos diretores presos na operação (FOTO - DIVULGAÇÃO)
Alir Terra Lima é advogada e presidente da Santa Casa de Campo Grande pelo segundo mandato à frente da instituição. Foi eleita pela primeira vez em 2022, tomou posse em janeiro de 2023 e foi reconduzida ao cargo em 2025.
Outros membros da direção do hospital estão entre os presos: o diretor administrativo Alessandro Junqueira, o diretor financeiro Rinaldo Romano, o adjunto de finanças Paulo Guilherme e Monique Gregório, supervisora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística.
Maurício Aparecido Benites é empresário, dono de prestadora de serviços de digitalização na Santa Casa. A investigação ainda não detalhou qual seria a participação de cada um deles no esquema.
Apesar da identificação dos seis presos, o processo está sob sigilo. Por isso, ainda não foram divulgadas as acusações individualizadas nem os fundamentos usados pela Justiça para decretar cada prisão preventiva.
CONTRATO SOB SUSPEITA
Um dos núcleos investigados envolve um contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) para a digitalização de prontuários médicos.
O acordo previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano, durante três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), houve pagamentos elevados sem a correspondente prestação dos serviços.
Somente no primeiro ano de vigência, o suposto desvio teria alcançado R$ 1,4 milhão. O Ministério Público ainda não informou quando o contrato foi assinado, qual empresa foi contratada, quanto já havia sido pago ou qual parte do serviço foi efetivamente entregue.
A Operadora pagou R$ 9,6 milhões – A segunda frente da Antidotum investiga contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde, controlada pela associação responsável pelo hospital.
Conforme o MPMS, a operadora contratou diversas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico. O proprietário dessas empresas teria ligações com a direção da Santa Casa.
As companhias apareciam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel indicado nos cadastros estava desocupado, segundo os investigadores. Somente em 2025, a Santa Casa Saúde teria pago aproximadamente R$ 9,6 milhões a essas empresas. O prejuízo calculado nesse conjunto de contratos é de, no mínimo, R$ 3,5 milhões. XXX
A apuração também identificou indícios de que contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente omitidos dos órgãos de fiscalização. Segundo o Ministério Público, as informações não eram apresentadas ao Conselho Fiscal da Santa Casa ou à Controladoria-Geral do Estado.
A OPERAÇãO
A movimentação policial começou nas primeiras horas desta sexta-feira. Equipes chegaram à Santa Casa para o cumprimento de mandado de busca e apreensão. Promotores, policiais e agentes circularam pelos corredores do hospital.
Malas com equipamentos para extração de dados foram levadas para dentro do prédio e as diligências se concentraram principalmente no setor financeiro. A informação obtida no local foi de que funcionários foram retirados temporariamente da área para permitir o trabalho das equipes.




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