Preso e expulso da Bolívia Neno Razuk chega a Campo Grande
A Migração boliviana determinou expulsão imediata após localizar mandado da Justiça brasileira
Neno Razuk, de 48 anos, após chegar ao Centro de Triagem Anísio Lima, no Complexo Penal de Campo Grande, na tarde desta segunda-feira CAMPO GRANDE NEWS
Os documentos também mostram que ele apresentou um documento considerado "presumidamente falso" pelas autoridades bolivianas e recebeu proibição de retornar ao país vizinho. Detido pela polícia boliviana, ele estava sem passaporte ou certidão de viagem válida.
Até o fim da manhã, o Campo Grande News havia informado que Neno foi preso por permanência irregular na Bolívia e entregue à Polícia Federal. Os documentos obtidos agora detalham a cronologia da permanência dele no país e os fundamentos utilizados pelas autoridades bolivianas para determinar sua expulsão.
Segundo a resolução administrativa, Neno entrou na Bolívia em 1º de julho de 2026, pelo posto migratório de San Matías, cidade localizada no departamento de Santa Cruz, bem perto da fronteira com o Brasil, próximo a Cáceres, no Mato Grosso.
Quando foi abordado, neste domingo, dia 2 de agosto, ele foi encaminhado ao posto de controle migratório de Puerto Suárez, na fronteira com Corumbá, em Mato Grosso do Sul, após pedido de cooperação entre as autoridades bolivianas e brasileiras.
Durante a análise, a Migração consultou o sistema da Interpol (Polícia Internacional) e verificou que não havia a inclusão do ex-deputado foragido na Difusão Vermelha. Em contrapartida, o sistema apontava um mandado de prisão expedido pela Justiça brasileira, válido até julho de 2046, por investigação relacionada à organização criminosa.
O outro ponto citado no auto é a apresentação de uma identidade classificada pelas autoridades bolivianas como “presumidamente falsa”. A notificação de saída obrigatória registra que a medida foi aplicada porque Neno “não conta com permanência legal na República da Bolívia” e pela “apresentação de documento presumidamente falso segundo informe de verificação no sistema I-24/7 emitido pela Interpol”, embora o relatório não cite exatamente qual documento não seria verdadeiro.

Carteirinha parlamentar de Neno anexada ao auto de prisão (FOTO - REPRODUÇÃO)
PROIBIÇÃO DO RETORNO
A Direção Geral de Migração concluiu que Neno se enquadrava nas hipóteses de saída obrigatória previstas na Lei nº 370 e determinou a retirada imediata dele do território boliviano. A decisão também impôs proibição de reingresso ao país, ressalvadas apenas as hipóteses excepcionais previstas na legislação boliviana, como reunificação familiar ou razões humanitárias, mediante nova análise administrativa. XX
Neno foi entregue à Polícia Federal na fronteira entre Puerto Suárez e Corumbá, por volta das 22h30 de domingo (2). O cumprimento formal do mandado de prisão brasileiro ocorreu na madrugada de segunda-feira, às 4h50. Em seguida, ele passou por exame de corpo de delito.
O preso passaria por audiência de custódia às 15h, em Corumbá, mas o Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) decidiu antecipar a escolta até a Capital. O encontro com o juiz para análise da prisão não aconteceu.
DEFESA NEGA FUGA
A prisão preventiva foi decretada pelo juiz José Henrique Káster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, após Neno perder o mandato na Assembleia Legislativa. Com a saída do cargo, ele também perdeu o foro por prerrogativa de função.
Na decisão, o magistrado considerou que a liberdade do ex-deputado representaria risco à ordem pública. O Gaeco aponta Neno como uma das lideranças de uma organização criminosa que continuaria em atividade.
Neno é réu em uma ação decorrente da Operação Successione, que investiga suspeitas de organização criminosa, roubo, corrupção, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e exploração de jogos de azar.
Em outro processo ligado à operação, ele foi condenado em primeira instância a 15 anos, sete meses e 15 dias de prisão por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. Ele recorria da sentença em liberdade.
A atual prisão preventiva foi determinada em uma ação penal diferente daquela que resultou na condenação. O ex-deputado nega envolvimento nos crimes.




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