Greve da Caixa termina e agências reabrem nesta quarta-feira
Empregados poderão compensar dias parados sem desconto imediato nos salários
Cartazes avisam sobre greve de trabalhadores em frente de agência da Caixa, em Campo Grande As agências da Caixa Econômica Federal devem retomar o atendimento normal nesta quarta-feira, em Mato Grosso do Sul e no restante do país, depois que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou nesta terça-feira o encerramento da greve nacional dos empregados do banco.
Ao julgar o dissídio coletivo, o tribunal rejeitou o pedido para considerar a greve abusiva e afastou a aplicação de multa aos sindicatos por suposto descumprimento de determinações anteriores. Mesmo sem reconhecer irregularidade no movimento, a Corte ordenou o retorno dos trabalhadores às atividades e definiu como será feita a reposição do período sem expediente.
Os empregados que aderiram à paralisação terão até 180 dias para compensar os dias não trabalhados. A medida substitui o desconto direto dos valores nos salários. A reposição deverá considerar a participação de cada funcionário no movimento, já que parte das unidades permaneceu em funcionamento durante a greve.
O julgamento também definiu reajuste salarial pela reposição integral do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), acrescida de ganho real de 0,6%. A mesma correção será aplicada a benefícios como auxílio-refeição, auxílio-alimentação, cesta-alimentação, auxílio-creche e auxílio-babá.
Pelo entendimento divulgado durante o julgamento, a sentença normativa mantém a data-base dos empregados em setembro e estabelece as condições econômicas da categoria a partir de 1º de setembro. Entre as regras preservadas estão cláusulas relacionadas a horas extras, adicional noturno, adiantamento do 13º salário, gratificações de função e auxílio-funeral.
O Saúde Caixa concentrou a principal divergência entre o banco e os trabalhadores ao longo das negociações. As entidades sindicais sustentaram que as alterações propostas pela instituição elevariam a participação financeira dos empregados e poderiam reduzir o efeito do reajuste salarial. A categoria rejeitou três propostas apresentadas durante a campanha salarial antes do início da paralisação.
O TST decidiu manter no novo conjunto de regras as cláusulas referentes ao plano de saúde que já constavam dos acordos coletivos anteriores. O mesmo entendimento foi adotado para a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), pois o tribunal considerou que novas condições sobre o benefício deveriam ser definidas por negociação entre a Caixa e os representantes dos trabalhadores.
O fim da greve não encerra, porém, a discussão sobre o modelo de financiamento do Saúde Caixa. Representantes dos empregados se comprometeram durante o julgamento a manter as negociações com o banco em mesas específicas para buscar uma solução sobre os custos e a sustentabilidade do plano.
A paralisação completaria três semanas nesta quarta-feira. Antes do julgamento, o TST promoveu tentativas de mediação entre a Caixa e as entidades sindicais, mas as partes não chegaram a um acordo.




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