PSOL é o primeiro partido a registrar programa de governo MS
O foco é no SUS, na habitação e no Pantanal
Lucien Resende, primeiro candidato a eleger programa de governo CAMPO GRANDE NEWS
Até o final do dia desta segunda-feira (3), o único registro disponível para o cargo de governador era o de Lucien Rezende (PSOL). Junto ao pedido de candidatura, ele protocolou um plano de governo com 10 páginas, documento exigido pela Justiça Eleitoral para todos os candidatos ao Executivo.
O programa apresenta diretrizes em diversas áreas da administração pública e enfatiza temas como fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde), valorização dos servidores públicos, preservação ambiental, políticas habitacionais, investimentos em educação e mudanças na política de segurança pública.
Na introdução do documento, o PSOL e a Rede Sustentabilidade afirmam que a estratégia política da federação em Mato Grosso do Sul está baseada em três eixos: apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fortalecimento de candidaturas legislativas alinhadas às pautas trabalhistas e mobilização pelo fim da escala de trabalho 6x1.
O texto também destaca a defesa dos direitos sociais, dos povos indígenas e da sustentabilidade ambiental.
SAÚDE
A saúde ocupa a maior parte do plano de governo. Entre as propostas estão a ampliação dos investimentos no SUS, fortalecimento da rede pública estadual e expansão do programa Mais Médicos para atender regiões afastadas, periferias urbanas, comunidades indígenas e municípios com escassez de profissionais.
O documento também prevê a criação do programa "Saúde em Casa", voltado ao atendimento domiciliar de idosos, pessoas com deficiência e pacientes com dificuldades de locomoção. A proposta inclui equipes multidisciplinares, acompanhamento domiciliar, UTIs móveis e atendimento preventivo e emergencial.
A outra diretriz é a regionalização da saúde, com fortalecimento de hospitais regionais e unidades especializadas para reduzir deslocamentos de pacientes, além da valorização dos profissionais da área, com melhores salários, planos de carreira, melhoria das condições de trabalho e qualificação permanente.
O plano também propõe políticas de saúde voltadas para indígenas, população negra, mulheres, população LGBTQIA+, pessoas com deficiência e moradores das periferias e da zona rural.
EDUCAÇÃO
Na educação, Lucien Rezende propõe ampliar o ensino em período integral, valorização de professores e servidores administrativos, além da realização de concursos públicos para suprir a falta de profissionais na rede estadual de ensino. O documento também defende uma educação pública, gratuita, inclusiva e de qualidade.
SEGURANÇA PÚBLICA
Na área da segurança, o plano afirma que Mato Grosso do Sul precisa de uma política baseada em inteligência, prevenção e respeito aos direitos humanos. XX
Entre as propostas estão investimentos em tecnologia, inteligência policial, integração das forças de segurança e cooperação com órgãos federais e internacionais devido à condição de estado fronteiriço. O documento também prevê valorização dos profissionais da segurança, políticas de saúde mental para os agentes e ampliação de ações sociais em áreas periféricas como forma de prevenção da violência.
O texto ainda defende políticas de prevenção à violência contra mulheres, combate ao feminicídio, proteção às populações indígenas e enfrentamento ao racismo estrutural.
HABITAÇÃO
Na política habitacional, a proposta prevê um programa estadual de habitação popular em parceria com os 79 municípios do Estado.
O plano estabelece como público prioritário famílias de baixa renda, mulheres chefes de família, pessoas em situação de vulnerabilidade, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. Também propõe o uso de tecnologias construtivas, como casas modulares e sustentáveis, além da ampliação da regularização fundiária, urbanização de bairros periféricos, programas de aluguel social e mutirões habitacionais.
MEIO AMBIENTE
A preservação ambiental aparece como uma das principais bandeiras do documento. O plano propõe ampliar a fiscalização contra desmatamento e queimadas ilegais, recuperar áreas degradadas e incentivar um modelo de desenvolvimento sustentável.
Também faz críticas aos impactos ambientais provocados pela expansão da indústria da celulose, especialmente no leste do Estado, citando o aumento da mortalidade de animais silvestres nas rodovias em razão do tráfego de caminhões. O documento ainda defende fiscalização mais rigorosa sobre a atividade mineradora em Corumbá e fortalecimento dos órgãos ambientais.
CULTURA E ESPORTE
Na cultura, o plano propõe um calendário estadual permanente de eventos, ampliação dos editais públicos, descentralização dos investimentos e fortalecimento das manifestações culturais indígenas, afro-brasileiras, pantaneiras, sertanejas, urbanas e periféricas.
Na área esportiva, o candidato defende ampliação da infraestrutura pública, criação de programas de incentivo ao esporte de base, escolar e universitário, fortalecimento de projetos sociais e políticas de inclusão para mulheres, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+, idosos e moradores das periferias.
EMPREGO E RENDA
Ao abordar geração de emprego e renda, o documento destaca a expansão da indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, mas questiona o modelo de desenvolvimento adotado. Segundo o plano, apesar da geração de empregos e do aumento da arrecadação, grandes empresas recebem incentivos fiscais enquanto persistem problemas como desigualdade social, baixos salários e carências em infraestrutura.
O plano de governo integra a documentação obrigatória apresentada pelos candidatos ao Executivo no momento do registro da candidatura junto à Justiça Eleitoral e fica disponível para consulta pública no sistema DivulgaCand.




COMENTÁRIOS