Fretes de grãos recuam em maio, mas seguem até 42% acima de 2025
Conab aponta acomodação sazonal, enquanto demanda e custos sustentam cotações elevadas
O mercado de fretes rodoviários de grãos em Mato Grosso do Sul entrou em uma fase de acomodação em maio, após o pico da movimentação provocado pela colheita da soja. Apesar do recuo registrado em parte das rotas na comparação com abril, os valores permaneceram entre 13% e 42% acima dos praticados pelo mercado no mesmo mês de 2025, refletindo a demanda firme por transporte e os elevados custos operacionais.
Na comparação com maio do ano passado, porém, todas as rotas permanecem mais caras. As maiores variações foram registradas entre Sidrolândia (MS) e Rio Grande (RS), com alta de 42%, Dourados (MS) e Rio Grande (RS), com avanço de 40%, São Gabriel do Oeste (MS) e Maringá (PR), além de Sidrolândia (MS) e Santos (SP), ambas com aumento de 27%.
Segundo a análise da Conab, o comportamento dos fretes reflete uma acomodação típica do calendário agrícola após o encerramento da colheita da safra de verão, sem perda de dinamismo do mercado. Mesmo com menor pressão logística, o escoamento da produção continuou intenso, impulsionado pelas exportações de soja e pela demanda da indústria e do setor de proteína animal das regiões Sul e Sudeste.
O outro fator que influenciou o mercado foi o avanço da segunda safra de milho. Durante maio, os produtores concentraram esforços no desenvolvimento das lavouras e na preparação dos armazéns para receber a nova produção, adotando uma estratégia de retenção comercial do cereal.
No comércio exterior, Mato Grosso do Sul exportou 900 mil toneladas de soja em maio, gerando receita de US$ 385,6 milhões, impulsionada principalmente pela demanda da China. Em sentido oposto, as exportações de milho permaneceram zeradas pelo segundo ano consecutivo no período, direcionando parte da demanda por transporte para o abastecimento do mercado interno.
De acordo com a Conab, os principais corredores logísticos para o escoamento da produção sul-mato-grossense seguem sendo os portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e São Francisco do Sul (SC).
Apesar da acomodação observada em maio, os custos operacionais continuam pressionando o setor. Os preços do óleo diesel e de outros insumos logísticos permanecem elevados, enquanto a estagnação dos prêmios de exportação nos portos do Sul e de São Paulo reduziu a atratividade dos embarques externos e reforçou o abastecimento da indústria nacional.
Na avaliação da Conab, a combinação entre demanda doméstica consistente, exportações de soja e custos elevados de operação mantém os fretes em patamares superiores aos registrados há um ano.
O cenário indica que o mercado passou por um ajuste sazonal após o pico da safra, mas continua sustentado pela necessidade de movimentação da produção agrícola e pelo abastecimento do mercado consumidor.




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