Dourados confirma a décima-quinta morte por chikungunya
Após a morte de um indígena de 19 anos o município apura outras três mortes e segue como epicentro da epidemia no Estado
Dourados confirmou a 15ª morte por chikungunya e segue como o município mais afetado pela epidemia em Mato Grosso do Sul Dourados confirmou nesta sexta-feira (19) a 15ª morte por chikungunya registrada neste ano e ampliou o peso da epidemia no cenário estadual. Sozinho, o município já concentra 68,2% dos 22 óbitos contabilizados em Mato Grosso do Sul até agora, segundo dados divulgados pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública, criado pela prefeitura para coordenar as ações de enfrentamento da doença.
A nova vítima é um indígena de 19 anos, morador da Reserva Indígena de Dourados. De acordo com o COE, ele começou a apresentar sintomas em 14 de março e morreu em 29 de maio, no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados.
O novo registro reforça a gravidade do surto no município, que segue como o mais atingido pela chikungunya em Mato Grosso do Sul, tanto em número de casos quanto em número de mortes. Das 15 vítimas confirmadas em Dourados neste ano, 11 eram indígenas moradores das aldeias Bororó e Jaguapiru.
Além dos óbitos já confirmados, o município ainda acompanha três mortes suspeitas que seguem em investigação. Os casos são de uma mulher de 74 anos, com doença renal crônica e hipertensão, internada em 15 de março e morta em 18 de maio; de um homem de 71 anos com diabetes, internado em 20 de março e morto em 19 de maio; e de um homem de 43 anos, sem comorbidades registradas, internado em 13 de maio e morto em 26 de maio. Segundo o COE, os três moravam na área urbana da cidade.
Os números da epidemia ajudam a dimensionar o tamanho do problema. O informe epidemiológico divulgado nesta sexta mostra que Dourados já acumula 9.772 notificações de chikungunya desde o início do surto. Desse total, 5.242 casos são considerados prováveis, 4.745 foram confirmados, 4.530 descartados e 497 ainda estão em investigação.
Na Reserva Indígena de Dourados, o quadro também segue preocupante. Foram 3.151 casos notificados, dos quais 2.343 são tratados como prováveis. O número de confirmações chega a 2.184, enquanto 808 casos foram descartados e outros 159 permanecem em apuração.
Mesmo com a dimensão da epidemia, os dados mais recentes indicam perda de força do surto em comparação com os meses mais críticos. A redução aparece tanto no número de internações quanto na curva de notificações acompanhada pela Secretaria Municipal de Saúde.
No auge da crise, os hospitais de Dourados chegaram a registrar entre 52 e 58 pacientes internados ao mesmo tempo por complicações causadas pela chikungunya. Agora, esse total caiu para 20. Desse grupo, 14 pacientes estão no Hospital Universitário da UFGD, dois no Hospital Regional, um no Hospital Unimed, dois no Hospital Cassems e um no Hospital da Vida.
A queda também pode ser vista no volume semanal de casos suspeitos. Na 23ª semana epidemiológica, foram registradas 194 notificações, número bem abaixo dos picos observados entre março e abril, quando a cidade viveu o momento mais agudo da epidemia.
Segundo o secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, Márcio Figueiredo, apesar dos sinais de recuo, o cenário ainda exige vigilância da população. “O número de focos do mosquito nas fiscalizações realizadas pelos agentes de combate às endemias também tem recuado acentuadamente nas últimas semanas, mas a população precisa manter a vigilância e continuar seguindo as medidas preventivas, sobretudo de combate aos pontos com água parada nos quintais e no interior das residências”, afirmou.
A evolução da doença ao longo das semanas ajuda a explicar por que Dourados se tornou o principal foco da chikungunya em Mato Grosso do Sul. O ano começou com 19 notificações na semana 1, 16 na semana 2, 32 na semana 3 e 35 na semana 4. Na semana 5, foram 40 registros. Depois vieram 72 na semana 6 e 65 na semana 7.
A disparada começou na semana 8, com 143 notificações. Na sequência, o município saltou para 217 casos suspeitos na semana 9 e 358 na semana 10. A semana 11 já havia apontado uma escalada forte, com 791 notificações, até chegar ao pico da epidemia na semana 12, quando foram contabilizados 1.207 casos suspeitos.
Depois desse ápice, a curva passou a oscilar até iniciar uma queda mais firme. Foram 897 notificações na semana 13, 1.151 na semana 14 e 1.068 na semana 15. A partir da semana 16, os números começaram a ceder de forma mais consistente, com 852 registros, seguidos de 621 na semana 17, 681 na semana 18, 399 na semana 19, 244 na semana 20 e 260 na semana 21.
Na semana 22, o município teve 179 notificações. Na semana 23, esse número subiu levemente para 194. Já na semana 24, ainda em andamento, o relatório contabilizou 115 notificações até o fechamento do boletim.
Embora os indicadores mais recentes apontem desaceleração, o avanço da doença deixou uma marca pesada em Dourados. O município não apenas lidera os registros da chikungunya no Estado, como também concentra mais de dois terços das mortes confirmadas em Mato Grosso do Sul em 2026. É esse peso desproporcional que mantém a cidade no centro da crise sanitária.





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