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Naviraí - MS,14/06/2026

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Mais da metade do eleitorado do MS está concentrada em cinco colégios eleitorais

GEOGRAFIA DO VOTO - As influências e as maiores concentrações de voto

REPRODUÇÃO
Mais da metade do eleitorado do MS está concentrada em cinco colégios eleitorais

A corrida eleitoral já começou, e os candidatos de Mato Grosso do Sul já percorrem a Capital e o interior em busca de apoio. Nesse cenário, a geografia do voto no Estado revela uma realidade que pode ser decisiva para as eleições de 2026: embora tenha 79 municípios, mais da metade do eleitorado está concentrada em apenas cinco municipalidades. Ao mesmo tempo, regiões que movimentam bilhões de reais nem sempre possuem o mesmo peso nas urnas.

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Os dados do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) mostram que Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã e Corumbá concentram cerca de 51% dos dois milhões de eleitores do Estado.

Essa distribuição ajuda a explicar por que algumas cidades se tornam prioridades permanentes nas campanhas, enquanto outras exercem influência política que vai além do tamanho de seu eleitorado.

OS MAIORES COLÉGIOS ELEITORAIS

Dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) mostram que Campo Grande lidera com 640.701 eleitores, o equivalente a 31,6% do total estadual. Em seguida aparecem Dourados, com 166.283 eleitores (8,2%), Três Lagoas, com 88.715 (4,4%), Ponta Porã, com 70.146 (3,5%) e Corumbá, com 67.866 (3,3%).

Juntas, essas cinco cidades somam mais de 1 milhão de eleitores. A concentração chama atenção porque dezenas de municípios possuem menos de 10 mil eleitores. Figueirão, por exemplo, tem apenas 2.814 eleitores, enquanto Novo Horizonte do Sul registra 3.613.

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Vista aérea parcial de Campo Grande

Além do peso eleitoral, a cidade concentra os principais veículos de comunicação, a sede dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, a maior arrecadação do Estado e a maior estrutura administrativa. Por isso, vencer em Campo Grande costuma ser visto como um passo importante para qualquer candidatura estadual.

Embora represente quase um terço do eleitorado, Campo Grande não consegue decidir sozinha uma eleição para governador. O interior mantém relevância justamente pela distribuição dos votos em dezenas de municípios médios.

Nas últimas décadas, lideranças como André Puccinelli (MDB) construíram parte importante de sua força política na Capital, enquanto nomes como Reinaldo Azambuja (PL) e Eduardo Riedel (PP) demonstraram capacidade de compensar eventuais dificuldades em grandes centros urbanos por meio de forte desempenho regionalizado.

A Capital é uma eleição à parte. Com mais de 640 mil eleitores, Campo Grande soinha tem mais eleitores do que a soma de Dourados, Três Lagoas, Ponta Porã, Corumbá, Naviraí, Aquidauana, Nova Andradina, Sidrolândia e Paranaíba.

Isso faz com que as campanhas estaduais sejam obrigadas a equilibrar dois desafios, conquistar os eleitores da Capital e construir alianças sólidas no interior.

O PESO DE DOURADOS

Se Campo Grande é o principal centro político, Dourados continua sendo a cidade mais estratégica do interior. Com 166 mil eleitores, o município concentra características que ajudam a explicar sua influência, como a forte presença do agronegócio, universidades, população indígena, comércio regional e um eleitorado urbano diversificado.

O historiador Eronildo Barbosa observa que Dourados reúne grupos sociais distintos e costuma refletir disputas que aparecem em escala estadual. Segundo ele, trata-se de uma cidade que historicamente produz tanto lideranças conservadoras quanto progressistas.

E o peso político da região vai além do município. Quando se somam os eleitorados de Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Caarapó, Itaporã, Fátima do Sul, Glória de Dourados, Vicentina e Douradina, a região ultrapassa 290 mil eleitores.

Na prática, isso significa que a Grande Dourados reúne quase metade do eleitorado da Capital e funciona como um dos principais polos de influência eleitoral do Estado.

VALE DA CELULOSE

Poucas regiões cresceram tanto economicamente nos últimos anos quanto o chamado Vale da Celulose. Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Bataguassu, Selvíria e Inocência concentram investimentos bilionários da Suzano, Arauco e Bracell, transformando a Costa Leste no principal polo industrial do Estado.

Mas existe uma diferença importante entre influência econômica e peso eleitoral. Mesmo somando os eleitores de Três Lagoas (88 mil), Bataguassu (19 mil), Ribas do Rio Pardo (16 mil), Água Clara (13 mil), Inocência (7 mil) e Selvíria (7 mil), a região ainda possui um eleitorado relativamente modesto quando comparado à Capital ou à Grande Dourados.

Mesmo sem grande peso nas urnas, a região passou a ocupar espaço crescente na agenda política estadual. Questões como habitação, qualificação profissional, infraestrutura urbana e logística passaram a ganhar relevância em cidades impactadas pelos empreendimentos industriais.

A tendência é que o crescimento populacional e econômico dessas localidades amplie gradualmente sua importância política nos próximos ciclos eleitorais.

Há outras regiões de Mato Grosso do Sul que também concentram parcelas importantes do eleitorado e possuem questões estratégicas que deverão ser observadas pelos pré-candidatos ao governo do Estado.

A faixa de fronteira também forma um bloco eleitoral relevante. Ponta Porã, Amambai, Coronel Sapucaia, Paranhos, Antônio João e Aral Moreira somam aproximadamente 135 mil eleitores. Entre os principais temas da região estão segurança pública, narcotráfico, comércio internacional, relações com o Paraguai e conflitos fundiários.

Na região do Pantanal, Corumbá e Ladário somam cerca de 81 mil eleitores. Embora tenham menos votantes do que alguns polos econômicos, concentram temas estratégicos para o Estado, como mineração, preservação ambiental, hidrovia do Paraguai, turismo e relações fronteiriças com a Bolívia.  

Segundo Eronildo Barbosa, municípios com forte presença de assentamentos rurais costumam apresentar comportamento eleitoral distinto. Ele aponta que regiões de Sidrolândia, Nova Andradina e outras áreas ligadas à reforma agrária historicamente apresentam maior receptividade a candidaturas vinculadas ao campo progressista.

E regiões como Chapadão do Sul, Coxim, parte da fronteira, Três Lagoas e o Vale do Ivinhema, Eronildo aponta que costumam ser identificadas como áreas de maior força conservadora.




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