Homem ficou quatro dias com o corpo da mulher
A irmã relata agressões e ameaças constantes e diz que a família já temia o crime
Imagem de Zelita Rodrigues de Souza em vida ... veja mais em https://www.campograndenews.com.br/cidades/interior/escolhe-como-quer-morrer-homem-ficou-4-dias-com-corpo-da-mulher-em-casa CAMPO GRANDE NEWS
A irmã da vítima, Léia Miranda da Silva, de 69 anos, conversou com o Campo Grande News nesta sexta-feira (1º), diz que não tem dúvidas sobre a culpa de Vicente, e afirmou que o crime era temido pela família. “Ele matou ela de segunda para terça-feira. Depois ficou com o corpo dentro de casa. Ele saía, fechava a porta, voltava”, relatou.
Zelita foi sepultada na manhã desta sexta-feira, em Guaíra (PR), onde vivem familiares. “Eu não convivia com eles. Moro em Maringá e vim para cá só para o velório. Pelo que os familiares que moram aqui contam, a convivência era conturbada”, disse Léia.
Segundo ela, o relacionamento durava cerca de dez anos, sendo aproximadamente sete em Mundo Novo. “Eles não tiveram filhos juntos. Ela já era mais velha, mas tinha dois filhos de antes, já adultos”.
A irmã conta que recebeu a notícia enquanto estava em Bela Vista. “Minha sobrinha, que mora em Guaíra, me ligou contando o que tinha acontecido. Aí vim para cá”.
Para a família, o desfecho já era esperado. “Para nós, foi algo que a gente já esperava. Ela sofria muito na mão dele. Ele batia nela, maltratava, humilhava bastante”.
Viatura da Polícia Civil em frente ao local onde corpo foi encontrado (FOTO POPULAR)
As agressões eram frequentes e, segundo o relato, incluíam tortura. “Ele queimava ela com cigarro, cutucava ela com ponta de faca”. O suspeito também já havia feito ameaças de morte. “Ele disse: ‘Escolhe o jeito que você quer morrer que eu vou te matar’”. XX
A família tentou afastá-la do agressor. “A gente falava para ela largar dele. Minha irmã pedia para ela não voltar. Uma sobrinha tentou levar ela para morar em outro lugar, mas ela sempre voltava”.
A última conversa entre as irmãs foi na segunda-feira. “Na terça e quarta eu já não consegui mais falar com ela”.
O corpo só foi encontrado após desconfiança de vizinhos. “Eles estranharam e entraram. Ela estava em cima da cama, seminua, já em estado avançado e com muitos machucados”.
segundo Léia, o suspeito não tentou fugir. “Quando a polícia chegou, ele disse que ela não tinha nada e que podiam levá-lo”.
O velório, segundo Léia, foi rápido e difícil. “O corpo já estava em estado avançado, ninguém conseguia ficar perto. O caixão estava aberto, mas quase ninguém conseguiu se aproximar”.
Zelita não trabalhava e vivia em casa. A cobrança agora é por justiça, ainda que com descrença. “A gente quer justiça. Mas, sinceramente, não acredita muito. Ele vai ficar preso um tempo e depois pode sair”.
A vítima foi encontrada morta dentro de casa, em área rural de Mundo Novo (FOTO - ARQUIVO PESSOAL)
O CRIME
O corpo apresentava sinais de espancamento, lesões na nuca e estava com parte do cabelo arrancado. Equipes foram acionadas por volta das 16h após informação repassada às forças de segurança.
O chamado partiu do Corpo de Bombeiros de Guaíra (PR), que recebeu solicitação sobre uma mulher sem sinais vitais em uma casa na Estrada do Cascalho. A Polícia Militar foi até o local e acionou a Polícia Civil.
Na residência, já isolada, o companheiro indicou onde o corpo estava. Zelita foi encontrada deitada de costas sobre a cama, seminua, com marcas visíveis de agressão e áreas do couro cabeludo expostas.
A análise inicial identificou lesões na nuca e outros sinais de violência, descartando morte natural. Vicente foi levado como principal suspeito.
Em depoimento, afirmou que dormia e encontrou a esposa sem vida ao acordar. Ele apresentava sinais de embriaguez. Vizinhos relataram relacionamento conturbado, com discussões frequentes e consumo de álcool nos últimos dias.
O fato está sendo investigado como o décimo-segundo feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul neste ano de 2026.






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