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Naviraí - MS,09/03/2026

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Cada vez mais mulheres chegam a MS para operar máquinas pesadas

Operadoras de máquinas, gestoras e técnicas mostram como a presença feminina cresce em setores do agro


Cada vez mais mulheres chegam a MS para operar máquinas pesadas Carolina Conti escolheu o setor de máquinas pesadas

O dia começa cedo para muitas mulheres que hoje ajudam a movimentar diferentes setores da economia rural em Mato Grosso do Sul. Na indústria, no campo, na gestão de dados ou na restauração ambiental, elas estão assumindo funções estratégicas e mostrando que técnica, organização e sensibilidade também são motores de produtividade.

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Em alguns casos, a rotina começa antes mesmo do nascer do sol. É o caso de Mércia Cristina dos Santos, que trabalha operando máquinas pesadas no setor florestal em Bataguassu. Sentada na cabine de um trator, ela conduz parte do trabalho ligado ao plantio e à colheita de eucalipto.

Mércia Cristina dos Santos, que trabalha operando máquinas pesadas no setor florestal em Bataguassu

“Minha rotina começa cedo, às 4h da manhã, e no campo faço de tudo um pouco: manobro trator, faço o plantio e coloco a mão na massa. Sabemos que no Brasil ainda existe muito machismo, mas hoje trabalho em uma equipe excelente, com igualdade de funções e salários”, relata a operadora da MS Florestal. 

A presença feminina também aparece dentro das indústrias ligadas ao agro. Na Servsal, empresa de nutrição animal, Roberta Maia ocupa a diretoria e lidera uma equipe formada majoritariamente por homens.   

“Assumir um cargo de liderança em um setor majoritariamente masculino sendo mulher e mãe de dois filhos, trouxe desafios únicos. Precisar conquistar credibilidade foi um processo que demandou tempo, posicionamento firme e, acima de tudo, a entrega de resultados consistentes. Não foi algo que aconteceu do dia para a noite, foi uma construção que parece ininterrupta, porque diariamente passamos por desafios, eles só mudam de tamanho. Hoje sei lidar facilmente com cada um deles”, afirma Roberta. 

No ramo leiteiro, a zootecnista Giovana Albuquerque destaca que a presença feminina é um diferencial

No setor leiteiro, a atuação feminina também tem impacto direto nos resultados das propriedades. A zootecnista Giovana Albuquerque, técnica do Senar e mestre pela UFMS, acompanha produtores e explica que a organização de dados faz diferença na produtividade.

“Controle de dados, observação dos animais e organização das informações fazem muita diferença no resultado. Muitas vezes percebemos que quando a mulher do produtor participa da gestão das anotações e dos dados da propriedade, isso melhora muito o controle do sistema”, pontua a especialista. 

Segundo ela, o trabalho envolve diferentes frentes dentro das propriedades.  “No dia a dia trabalhamos com nutrição do rebanho, escrituração zootécnica, planejamento de acasalamentos, controle leiteiro e análise de custos de produção. Muitas vezes precisamos organizar dados e mostrar quais pontos podem ser ajustados para melhorar a eficiência do sistema. Isso exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade para entender a realidade de cada produtor”, explica a zootecnista ao falar sobre sua atuação junto a produtores vinculados ao Núcleo Girolando MS. 

A presença feminina também tem impacto direto em iniciativas ambientais. Por meio da Rede de Sementes Flor do Cerrado, coordenada pelo Instituto Taquari Vivo, mulheres quilombolas, assentadas e indígenas participam da coleta e comercialização de sementes usadas na restauração do Pantanal. O projeto já comercializou 16 toneladas de sementes nativas. 

Para Jânia Batista Malaquias, da comunidade quilombola Santa Tereza, em Figueirão, a atividade representa mais do que uma fonte de renda.  “Fui motivada pela oportunidade de aumentar a renda e pelo amor pela natureza. Além da renda complementar, a experiência fortaleceu a união entre as mulheres da comunidade. E para nós, mulheres, sabermos que o nosso trabalho contribui para a preservação ambiental é motivo de orgulho”, conclui. 

Lana Moraes, engenheira florestal, é técnica do viveiro, e confirma que mulheres ocupam a função que quiser

Nos viveiros florestais, mulheres também assumem funções técnicas e de liderança. A engenheira florestal Lana Moraes trabalha na produção de mudas e coordena uma equipe responsável pela qualidade das plantas até o momento do plantio. 

“Aqui lidero uma equipe de oito pessoas, garantindo a qualidade da muda até o plantio. Muitos dizem que somos frágeis, mas temos uma força gigante; é só focar no objetivo que conseguimos. Vivi uma fase marcante quando fui mãe durante a faculdade e muitos diziam que eu não conseguiria atuar na minha área. Hoje, sou engenheira florestal, estou aqui há três anos atuando firme e forte no meio de tantos homens e sei que vou conquistar muito mais. Não é por sermos mulheres que somos frágeis; somos capazes de tudo o que quisermos”. 




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