No MS estrangeiros de 20 países viram alternativa para falta de mão de obra
Na Sala do Migrante, Campo Grande já empregou duas mil pessoas de outros países para atender mercado
Estrangeiros aprendendo a Língua Portuguesa no Espaço do Saber CAMPO GRANDE NEWS
Criado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, através da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso do Sul, o projeto oferece atendimento para regularização de documentos e orientação aos imigrantes, além de serviços voltados à inserção no mercado de trabalho. xx
Para Cantero, o crescimento econômico do Estado aumenta a necessidade de trabalhadores e torna a integração dos estrangeiros cada vez mais importante. “Mato Grosso do Sul tem recebido a agroindústria, nós estamos nos tornando um hub logístico, nós temos a Rota Bioceânica que tem a promessa de transformar o cenário econômico. Eles são imprescindíveis para que haja esse desenvolvimento sustentável. Com a indústria chegando e a falta de mão de obra, eu percebi que tinha mundos que não estavam conversando”, pontuou em entrevista ao Campo Grande News.

Superintendente regional do Trabalho, Alexandre Cantero (FOTO - JULIANO ALMEIDA)
A Sala do Migrante foi criada em fevereiro de 2025 e, desde então, já atendeu pessoas de pelo menos 20 nacionalidades, entre elas da Venezuela, do Paraguai, Gabão, Índia, Egito, Palestina, Síria, Alemanha e Bolívia.
O atendimento inclui a emissão do CPF, orientação para acesso à Carteira de Trabalho Digital, regularização migratória e análise da situação de cada pessoa, considerando, por exemplo, se é refugiada, se vem de um país em guerra ou se está no Brasil por razões humanitárias.
“A demanda é acolher, receber os migrantes que vem de todos os países, emitir o CPF, a carteira de trabalho digital, fazer a regularização conforme a nacionalidade, saber a condição dele, se é refugiado, se o país está em guerra, se é causa humanitária. Nós somos um estado fronteiriço”, disse.
Além do atendimento, o projeto criou o Espaço do Saber, voltado à qualificação profissional e à oferta de cursos de Língua Portuguesa. A proposta é facilitar a adaptação e ampliar as possibilidades de inserção dessas pessoas no mercado de trabalho.

Espaço do Saber onde é ofertada aula de Língua Portuguesa e curso de qualificação profissional (FOTO - JULIANO ALMEIDA)
Cantero também reforça que a contratação de estrangeiros não significa retirar oportunidades dos trabalhadores brasileiros. Para ele, a chegada dessa mão de obra atende a uma necessidade do próprio setor produtivo.
“Não toma o emprego de nenhum sul-mato-grossense, de nenhum brasileiro. Nós precisamos da mão de obra dos estrangeiros, nós estamos levando cidadania para quem está chegando no Estado. Com isso, nós estamos possibilitando o crescimento do setor produtivo, de maneira sustentável”, destacou.
A iniciativa conta com o apoio da Fiems (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul), por meio do Cempe (Comitê Empresa-Escola) e do Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul).
Os interessados em receber ajuda podem ir diretamente ao prédio da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, na Rua Treze de Maio, 3214, em Campo Grande, ou entrar em contato pelo número (67) 3901-3008.
ESTRANGEIROS
Conforme dados da pesquisa “Fecundidade e migração: Resultados preliminares da amostra”, um recorte do Censo Demográfico de 2022, divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em junho de 2025, Mato Grosso do Sul tem saldo migratório de 17.520, sendo 106.122 imigrantes e 88.602 emigrantes.
Se considerar pessoas de cinco anos ou mais de idade (5 anos antes da pesquisa), que não residiam no Brasil e se mudaram para Mato Grosso do Sul, o montante atinge 10.028. A maioria (4.249) é da Venezuela, em seguida está Paraguai, com 3.065. A minoria era de Malta e Turquia, com 4 pessoas em cada país e vieram para o Mato Grosso do Sul.
Em Campo Grande, 1.964 eram de outros países, a maioria da Venezuela, com 830 pessoas. Em contrapartida, a minoria veio da Uganda, apenas 18 pessoas.
Recepção da Sala do Migrante, onde é feito o primeiro atendimento aos estrangeiros (FOTO - JULIANO ALMEIDA)





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