Santa Casa suspende cirurgias eletivas e cobra R$ 26 milhões
Os repasses atrasados causa a falta de insumos, dificuldades financeiras e ameaça de demissão coletiva de médicos
Santa Casa de Campo Grande A Santa Casa de Campo Grande acionou a Justiça em caráter de urgência para cobrar o pagamento imediato de R$ 26.564.109,41 do município de Campo Grande e do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.
Em petição apresentada na noite de quarta-feira, os advogados do hospital relataram um cenário considerado crítico, com falta de insumos, suspensão de procedimentos eletivos e ameaça de paralisação por parte de equipes médicas. A instituição solicita que uma decisão sobre a liberação dos valores seja tomada até esta sexta-feira (dia 30).
Segundo a Santa Casa, os valores cobrados correspondem à atualização inflacionária pelo IPCA acumulado entre dezembro de 2025 e julho de 2026, montante que já teria sido reconhecido em decisão judicial anterior. Do total, R$ 15,3 milhões seriam de responsabilidade da Prefeitura de Campo Grande e R$ 11,1 milhões referentes ao Governo do Estado.
Diante do impasse nas negociações para um novo contrato, o hospital pede a prorrogação do convênio atual por mais 30 dias, garantindo os repasses de agosto, desde que os valores pendentes sejam regularizados.
A Santa Casa afirma que está há 20 meses, operando por meio de contratos extraordinários prorrogados judicialmente e aponta um déficit acumulado de R$ 20 milhões devido à falta de correção inflacionária dos repasses.
A crise financeira, segundo a instituição, provocou a suspensão de cirurgias eletivas gerais, pediátricas, cardíacas e vasculares. Além disso, equipes médicas de especialidades como cardiologia intervencionista, ortopedia, urologia, radiologia, ultrassonografia e psiquiatria ameaçam uma demissão coletiva caso a situação não seja solucionada.
Os atendimentos considerados de alta complexidade, como oncologia, hematologia e transplante renal, continuam sendo realizados normalmente, devido à gravidade dos pacientes acompanhados nessas áreas.
Divergência entre hospital e poder público
Enquanto a Santa Casa cobra a regularização dos repasses, o município mantém os pagamentos com base no modelo anterior de convênio, que vem sendo renovado por decisões judiciais.
A Prefeitura de Campo Grande afirma que a instituição não estaria cumprindo integralmente metas previstas no contrato, citando redução no número de exames e internações como um dos motivos para a divergência.
Para buscar um novo equilíbrio financeiro e encerrar o impasse contratual, a Santa Casa solicita que o repasse mensal feito por Estado e Município seja elevado de R$ 32,7 milhões para R$ 45.946.359,89.
O caso segue em análise judicial, e uma decisão sobre os repasses emergenciais é aguardada pelo hospital.





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