Fechamento de empresas bate recorde em Mato Grosso do Sul
Foram 6,2 mil baixas no primeiro semestre, maior número da série histórica da Jucems
SUZAN BENITES / CORREIO DO ESTADO
O número representa crescimento de aproximadamente 13% em relação ao mesmo período de 2025, quando 5.534 empresas deram baixa. O resultado mantém uma trajetória de aceleração observada nos últimos anos.
Em 2023, por exemplo, o Estado contabilizou 5.164 empresas extintas durante todo o ano, em 2024, esse número subiu para 6.467 e, em 2025, outro recorde foi estabelecido, com 9.604 baixas. Agora, em apenas seis meses, Mato Grosso do Sul já alcançou praticamente dois terços do número registrado em todo o ano passado.O avanço dos fechamentos ocorre justamente em um cenário de forte expansão do empreendedorismo. No mesmo período, a Jucems registrou 8.978 novas empresas, também o maior número da história para o primeiro semestre.
Em relação aos seis primeiros meses de 2025, quando foram constituídas 6.893 empresas, o crescimento foi de 30,2%. Na prática, os números mostram que o Estado continua gerando mais empresas do que perdendo.
O saldo entre constituições e extinções no primeiro semestre foi positivo em 2.728 empreendimentos. Ainda assim, o crescimento simultâneo dos dois indicadores evidencia um ambiente empresarial mais dinâmico, mas também mais competitivo, em que milhares de empresas conseguem nascer, porém muitas não conseguem permanecer em atividade.
Para o economista Eduardo Matos, o aparente paradoxo pode ser explicado por dois movimentos distintos. O primeiro deles é a transformação ocorrida nas juntas comerciais nos últimos anos, que simplificou o processo de formalização das empresas.
Segundo ele, Mato Grosso do Sul está entre os estados brasileiros que mais avançaram na redução da burocracia para abertura de novos negócios, graças à digitalização dos serviços e à integração dos sistemas públicos.
“O Brasil sempre foi reconhecido por ser um país extremamente burocrático para quem queria empreender. Abrir uma empresa demandava tempo, documentos e diversos procedimentos presenciais. Esse cenário mudou bastante. As juntas comerciais passaram por um processo de digitalização e simplificação que facilitou significativamente a abertura de um CNPJ. Hoje, Mato Grosso do Sul é um dos estados mais ágeis nesse processo”, explica.
Na avaliação do economista, essa modernização ajuda a explicar por que a abertura de empresas bate sucessivos recordes desde o ano passado. O desafio, porém, começa depois da emissão do CNPJ. “Uma coisa é abrir uma empresa, outra completamente diferente é conseguir mantê-la funcionando ao longo do tempo. A facilidade para constituir um negócio não foi acompanhada por uma redução do chamado custo-Brasil, que continua sendo um dos maiores obstáculos para a sobrevivência das empresas”, afirma.

CUSTOS
Entre os principais fatores apontados por Eduardo Matos estão o elevado custo do crédito, os juros ainda altos, a carga burocrática para cumprimento das obrigações tributárias e a intensa concorrência em praticamente todos os setores da economia.
“O empresário continua enfrentando um custo muito alto para operar. Existe um enorme gasto de tempo e recursos apenas para cumprir as exigências tributárias. Soma-se a isso um ambiente de crédito caro, forte concorrência e diversas despesas que acabam reduzindo a capacidade financeira das empresas. São custos invisíveis que tornam muito difícil manter um negócio funcionando por muitos anos”.





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