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Naviraí - MS,04/06/2026

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Acrissul diz que o trabalho escravo é justificativa para a guerra comercial

O Brasil é incluído por governo Trump em lista de economias que podem sofrer novas tarifas de 12,5%

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Acrissul diz que o trabalho escravo é justificativa para a guerra comercial A carne brasileira não foi citada na proposta de novo tarifaço, segundo presidente da Acrissul

A ameaça dos Estados Unidos de ampliar tarifas contra o Brasil sob a justificativa de falhas no combate ao trabalho forçado é vista pelo presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Guilherme Bumlai, como mais um capítulo de disputa comercial.

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Para ele, a medida mistura pressão econômica com narrativa política, além de ser contraditória, já que a taxação, preliminarmente, não atinge a carne bovina brasileira, justamente porque o mercado americano precisa do produto. “Eu acho que informações estão um pouco desencontradas, não me parece fazer sentido nessa linha”, avaliou. 

A declaração ocorre após o Brasil ser incluído em uma lista de 59 países, além da União Europeia, que, segundo autoridades americanas, “não conseguiram” barrar a importação de bens produzidos com trabalho forçado. A avaliação serviu de base para a proposta de novas tarifas retaliatórias.

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos propõe que o Brasil e outros 53 países citados no relatório recebam tarifas adicionais de 12,5%. Outras seis economias devem receber taxação de 10%. Não está claro se essas tarifas se adicionam a outras já em vigor e como elas se aplicariam em relação a listas de exceções.

Bumlai, porém, contesta a leitura de que a medida tenha fundo predominantemente trabalhista. “Que tudo isso se trata de guerra comercial, nós já estamos quase que ficando acostumados. Uma hora é mercado europeu, agora mercado norte-americano”, disse. 

Segundo Bumlai, o setor produtivo ainda precisa aguardar o direcionamento definitivo do governo americano. Ele avalia que a carne bovina ficou fora do tarifaço porque os Estados Unidos dependem do produto brasileiro. O país enfrenta o menor rebanho bovino de sua história recente e, sem a carne importada, poderia pressionar ainda mais os preços internos. Na avaliação de Bumlai, o peso econômico tende a falar mais alto. “O ponto final de tudo é questão comercial”, resumiu. 

O setor pecuário brasileiro figura no cadastro de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, divulgado anualmente pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). 

No último levantamento de abril, constam 169 empregadores, sendo 102 pessoas físicas e 67 pessoas jurídicas. As atividades com maior número de inclusões nesta edição foram: serviços domésticos (23); criação de bovinos para corte (18); cultivo de café (12); construção de edifícios (10); e serviço de preparação de terreno, cultivo e colheita (6). Somente em Mato Grosso do Sul, há 28 fazendas citadas no cadastro. 

Estado tem 28 propriedades rurais incluídas na nova atualização da “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo Governo Federal. O cadastro reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão. Em todo o país, 613 empregadores foram incluídos na relação. 

Questionado sobre o impacto desses registros para a imagem do agronegócio sul-mato-grossense, Bumlai afirmou que os casos não podem ser usados para generalizar todo o setor. No recorte regional, disse que 28 propriedades são um universo pequeno dentro dos 70 mil pecuaristas existentes em Mato Grosso do Sul. “Em qualquer segmento você vai ter aquelas pessoas que trabalham correto e outras não. Não pode colocar no mesmo balaio”, disse, acrescentando que o Brasil é até mais rigoroso que os Estados Unidos nesse quesito.

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