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Naviraí - MS,29/05/2026

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Operação da Receita Federal mira empresa ligada ao PCC

As seis fintechs investigadas movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025

DIVULGAÇÃO
Operação da Receita Federal mira empresa ligada ao PCC Receita Federal cumpre 59 mandados de busca e apreensão em cinco Estados

CORREIO DO ESTADO 

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A Operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, investiga esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Em Mato Grosso do Sul, um mandado de busca e apreensão contra uma empresa foi cumprido no município de Iguatemi. 

Os focos principais nessa operação são mais seis fintechs (empresas de tecnologia que prestam serviços financeiros), as quais atuavam supostamente como bancos paralelos para movimentar os recursos financeiros do Primero Comando da Capital (PCC), e a adulteração de combustível com uso de nafta.

Segundo a Receita Federal, as seis fintechs movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. Houve a constatação de operações suspeitas, principalmente com depósitos realizados em espécie, procedimento estranho à natureza de uma instituição de pagamento, e contas abertas em outras instituições de pagamento, gerando uma dupla camada de ocultação. Entre 2022 e 2024, uma dessas instituições recebeu depósitos de mais de R$ 1 bilhão em espécie. 

Em relação a adulteração de combustíveis, as investigações apontam que somente com o esquema do uso de nafta petroquímica, os prejuízos aos cofres públicos chegaram a R$ 200 milhões em tributos sonegados em dois anos.

O esquema usado pela organização criminosa, ao mesmo tempo que lavava o dinheiro proveniente do crime, obtinha elevados lucros na cadeia produtiva de combustíveis. O uso de fintechs permitia dissimular os recursos de origem criminosa. A sonegação fiscal e a adulteração de produtos aumentavam os lucros e prejudicavam os consumidores e a sociedade.

Ao todo, são cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em pessoas físicas e jurídicas.  Além de Mato Grosso do Sul, em outros quatro estados também está ocorrendo a operação: São Paulo (capital, Arujá, Atibaia, Barueri, Itupeva, Jardinópolis, Mogi das Cruzes, Paulínia, Rafard, Santos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Votorantim), Paraná (Cascavel e Paranavaí), Minas Gerais (Belo Horizonte) e Rio de Janeiro (capital). 

Esta é a 2ª fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada há exatos nove meses. A ação é composta pela Receita Federal, em parceria com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz/SP), a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e as Polícias Militar e Civil. 

EMPRESA DE MS É INVESTIGADA

Durante a 1ª fase da Carbono Oculto, um dos principais alvos foi a Copape, formuladora de combustíveis que tem sede em Campo Grande e deve R$ 563,5 milhões ao fisco federal, conforme dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. 

Nesta operação, a Receita Federal mirou oito alvos no Estado, sendo empresas do núcleo operacional da cadeia de combustíveis. 

A Copape é um dos elos com fintechs sediadas na região da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo (SP). As autoridades ligadas à investigação informaram que o BK Bank teve R$ 17,7 bilhões em movimentações financeiras suspeitas. 

A Receita Federal estima que o esquema criminoso tenha sonegado R$ 1,4 bilhão em tributos federais, enquanto os tributos estaduais sonegados são estimados em R$ 7,6 bilhões. Só em Mato Grosso do Sul, a Copape, formuladora de combustíveis ligada à Aster, sonegou quase metade dos tributos federais.   

O inquérito aponta que o principal cliente do BK Bank no período investigado foi a distribuidora de combustíveis Aster. Dos R$ 17,7 bilhões em movimentações suspeitas, R$ 2,22 bilhões foram destinados à empresa. 

Segundo as investigações, o grupo formado por Copape e Aster era dirigido por um testa de ferro: Renato Steinle de Camargo, diretor administrativo das empresas, que, na prática, seriam geridas por Mohamed Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva. 

Essas duas empresas teriam ligação com o PCC, que, segundo a investigação, achava donos de postos de combustíveis de bandeiras independentes para venderem suas lojas, sob ameaça de morte. Nesses locais, ainda conforme a investigação, eram vendidos também combustíveis adulterados.

UTILIZAÇÃO DE FINTECHS

As fintechs são usadas pelas organizações criminosas para a prática de sonegação fiscal, blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro. 

Esse fenômeno ocorre, sobretudo, devido à ausência de um compliance mais rigoroso e à participação de sócios e gestores que exploram esse nicho de mercado que permite estruturas opacas de movimentação financeira. 

Destaca-se, nesse contexto, o uso das chamadas “contas bolsão”, que centralizavam e posteriormente dispersavam recursos ilícitos, o que dificultava significativamente o rastreamento das operações e a identificação dos beneficiários finais das transações.




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