Professora de MS é campeã nacional e finalista em prêmio global
A pesquisadora da UFMS se destaca com estudo sobre biodiversidade e clima no Brasil
A pesquisadora Letícia em trabalho de campo, manuseando sementes A pesquisadora Letícia Garcia foi anunciada como Campeã Nacional do Brasil no Prêmio Frontiers Planet 2026, uma das principais premiações internacionais voltadas à saúde planetária. Ela está entre 25 cientistas selecionados em todo o mundo por desenvolver pesquisas que ampliam a compreensão do sistema terrestre e apontam soluções práticas e escaláveis para enfrentar a crise ambiental.
A indicação foi feita pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e marca a primeira vez que a universidade e o Estado alcançam esse nível de destaque na premiação.
Segundo a assessoria de imprensa da UFMS, o reconhecimento veio a partir do estudo “Mapeando Paisagens Resilientes às Mudanças Climáticas em um País Megadiverso”, publicado na revista Global Change Biology.
A pesquisa identifica áreas no Brasil onde a biodiversidade apresenta maior resistência às mudanças climáticas, oferecendo um mapeamento estratégico para orientar ações de conservação e uso sustentável do território.
Os resultados integram o relatório internacional “Da Ciência à Política: Soluções Planetárias em Ação”, que traduz evidências científicas em recomendações práticas para governos. O documento propõe caminhos para conservação e restauração ambiental com base em critérios espaciais, permitindo priorizar regiões onde intervenções podem gerar maior impacto ecológico a longo prazo.
Ao comentar o reconhecimento, a professora destacou o caráter aplicado do estudo. Segundo ela, os resultados funcionam como um “mapa científico” capaz de orientar políticas de adaptação climática, conciliando proteção ambiental e necessidades humanas em um cenário de mudanças aceleradas.
A seleção dos campeões nacionais foi feita por um júri independente composto por 100 especialistas em sustentabilidade e saúde planetária, presidido pelo cientista Johan Rockström, conhecido por desenvolver o conceito de limites planetários, que define os parâmetros ambientais dentro dos quais a humanidade pode se desenvolver com segurança.
Professora e pesquisadora, Letícia venceu, em março, o 2º Prêmio Mulheres e Ciência do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) na área de Ciências da Vida (categoria Estímulo). Ela coordena o Laboratório Ecologia da Intervenção, voltado à restauração e conservação de biomas como Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica.
Bióloga formada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), tem mestrado em Ecologia, doutorado pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e pós-doutorado pelo Centro de Referência em Informação Ambiental, também em Campinas (SP).
A pesquisadora acompanha plantio de árvores em Terra Indígena (FOTO - ALICE RODRIGUES)l
Com o título nacional, Letícia Garcia avança agora para a etapa final da premiação. Três cientistas serão escolhidos como campeões internacionais ainda este ano e receberão financiamento para expandir suas pesquisas globalmente. Como Campeã Nacional, a professora deverá apresentar sua pesquisa em conferências nacionais e internacionais, contribuindo para aproximar ciência e tomada de decisão.
A cerimônia final está marcada para 18 de janeiro de 2027, em Davos, na Suíça, reunindo lideranças globais das áreas de ciência, políticas públicas e filantropia, com foco em soluções para os desafios ambientais do século.
Organizado pela Frontiers Science House, o evento deve reunir lideranças das áreas de políticas públicas, prática e filantropia com objetivo de colocar a ciência no centro das decisões. A proposta é destacar soluções e inovações capazes de orientar escolhas estratégicas, com base nos avanços da ciência dos limites planetários, fundamentais para definir os rumos do futuro.







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