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Naviraí - MS, 24/11/2017
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Mundo Novo e Guaíra se fixam na rota do contrabando

SISTEMA MAPEADO

Foto: FOLHA DE SÃO PAULO
Mundo Novo e Guaíra se fixam na rota do contrabando
Barco com cigarro em porto clandestino

FOLHA DE SÃO PAULO

Quarta-feira, 15h. Agentes da Polícia Federal (PF) entram em suas potentes lanchas para iniciar mais uma operação de combate ao contrabando e tráfico no rio Paraná, na fronteira do Brasil com o Paraguai.

A cerca de 200 metros, dois adolescentes observam atentamente a saída da embarcação e usam seus smartphones. Pronto, a quadrilha a qual pertencem já sabe que o rio deve ser evitado. É assim todos os dias.

Shopping do contrabando tem remédio, pneu e cigarro na fronteira

A repressão cresceu, com a criação de uma base naval da PF em Foz do Iguaçu, a construção de uma nova em Guaíra (PR), onde a cena acima foi flagrada, e operações ininterruptas da Receita Federal.

Mas os contrabandistas têm driblado a fiscalização com a construção de portos clandestinos no lado paraguaio e “fichando” agentes da PF, que têm cada passo vigiado pelo esquema criminoso que envolve mais de 20 quadrilhas que atuam na região.

Foi acompanhado pela reportagem as fiscalizações terrestres e aquáticas na região da tríplice fronteira e encontrou portos ilegais sendo feitos no Paraguai e barcos à espera de produtos contrabandeados para cruzar a fronteira entre os países. 

Só neste ano, foram apreendidas ao menos 140 embarcações nas regiões de Foz e Guaíra. Com o acirramento da fiscalização em Foz, contrabandistas têm, cada vez mais, percorrido o rio até a paraguaia Salto del Guairá para desovar as mercadorias em território brasileiro a partir de Guaíra ou Mundo Novo (MS). São 200 quilômetros de distância pelo rio.

Esqueça, portanto, os sacoleiros, pequenos compradores que estão quase extintos em Ciudad del Este.

O contrabando hoje é altamente profissional, inclui monitoramento 24 horas  por dia de cada passo de agentes da PF e existe até relato de elo entre o Hezbollah, movimento xiita libanês, e a facção criminosa Primeiro  Comando da Capital (PCC).

VIGILÂNCIA
“Já apreendemos esses olheiros e no celular deles encontramos nossos nomes,
placas de carros, endereços e até hábitos. Essa é a maior dificuldade que
enfrentamos”, disse o agente da PF Pablo Morales, que atua no Núcleo Especial de Polícia Marítima (Nepom) de Guaíra.

A vigilância rende a membros da quadrilha R$ 100 por turno de seis horas. Já foram flagrados por agentes até mesmo quando estes buscavam os filhos na   escola.


Embora a fronteira seja considerada por auditores da Receita e agentes da PF como a mais vigiada do país, nenhuma melhoria tem sido suficiente para  acabar com o contrabando na região, justamente pela logística dos  contrabandistas e o baixo efetivo de fiscalização.

Na própria Ponte da Amizade há vigias do contrabando, chamados por   agentes de “moscas”, que avisam sobre troca de turnos, idas de fiscais ao banheiro e momentos em que os agentes estão ocupados vistoriando veículos - o que significa passagem livre.

Assim como em Salto del Guairá, em Foz do Iguaçu há ao menos cinco portos ilegais,

que permitem que veículos cheguem à  margem do rio para carregar. “Para  ficarem mais rápidos, barcos que  passavam com 15 volumes agora  trazem 4.