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Naviraí - MS, 22/11/2017
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Triplica o número de focos de raiva

ALERTA EPIDEMIOLÓGICO

Foto: DIVULGAÇÃO
Triplica o número de focos de raiva
Animal morto em decorrência da raiva

OSVALDO JÚNIOR / CAMPO GRANDE NEWS

O número de focos de raiva em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul triplicou neste ano na comparação com a quantidade contabilizada em igual período de 2016. De acordo com balanço da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), foram verificados 24 focos em dez municípios. Até o momento, morreram 50 animais.

De 2014 a 2016, o número de focos caiu significativamente, de 21 para 8. Neste ano, subiu para 24. A quantidade de municípios também é maior: de cinco aumentou para dez. Até julho, foram capturados 1.697 morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue), média de 242 por mês, acima do volume dos anos anteriores – em 2016, foram 2.425, média de 202 animais capturados mensalmente.

Os dados foram apresentados nesta segunda-feira, pelo fiscal estadual agropecuário, da PNCRH (Coordenação Estadual dos Programas, Nacional de Controle da Raiva dos Herbívoros) e de PNEEB (Prevenção e Vigilância da Encefalopatia Espongiforme Bovina), Fábio Shiroma de Araújo.

O especialista explica que o aumento expressivo no número de focos se relaciona a dois fatores: a ocorrência em regiões que não têm o histórico de raiva e o período de incubação do vírus causador da doença.

Como não houve antes casos de raiva nas regiões afetadas neste ano, os animais não estavam imunizados. Fábio ressalta que a obrigatoriedade da vacinação é apenas em locais onde há registro da doença.

O outro fator é ao período relativamente longo (de 45 a 60 dias) de incubação (tempo que o animal foi exposto ao vírus até o aparecimento dos sintomas). Isso faz com que a doença se alastre antes de ser percebida. Houve caso de manifestação da enfermidade em animais vacinados havia 15 dias – isso porque eles já estavam doentes quando receberam a vacina.

O aumento de focos, segundo observa o fiscal, é um dado relativo. Isso porque em uma propriedade (que corresponde a um foco) pode ser, por exemplo, dez ou cem animais com a doença. Ou seja, o fato de neste ano ter 24 focos não significa, necessariamente, que a gravidade da raiva é maior.

Fábio Shiroma enfatiza, ainda, que a vacinação deve ser dada em duas doses, sendo a segunda 20 a 30 dias depois da primeira. “A vacina protege, mas não cura”, destaca. “Raiva não tem cura. Raiva mata”, reforça o especialista.

Até agosto, foram mortos cerca de 50 animais com sintomas da raiva. Mas esse número pode ser muito maior, devido ao período de incubação. Já foram vacinados 5,37 milhões de bovinos e equinos.

AÇÕES

Neste ano, membros da coordenação e da equipe de Nova Alvorada do Sul realizaram ações preventivas naquele município e em Rio Brilhante às margens do rio Vacaria e seus afluentes com vigilância em 21 propriedades rurais com sete abrigos vistoriados tendo capturados e controlados 86 morcegos hematófagos.

A equipe da unidade Regional de Naviraí realizou ações preventivas nos municípios de Caarapó, Juti, Naviraí, Mundo Novo e Iguatemi com vigilância em 22 propriedades rurais com 34 abrigos vistoriados tendo capturados e controlados 225 morcegos hematófagos.

A equipe da Regional de Três Lagoas e da Regional Nova Andradina realizaram ações de perifoco no município de Taquarussu com vigilância em 34 propriedades rurais com 23 abrigos vistoriados tendo capturados e controlados 124 morcegos hematófagos.

Captura de morcegos em poço abandonado às margens do Rio Vacaria, em Rio Brilhante (Foto: Divulgação/Iagro)Captura de morcegos em poço abandonado às margens do Rio Vacaria, em Rio Brilhante (Foto: Divulgação/Iagro)