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Naviraí - MS, 26/9/2017
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Professores voltam a trabalhar, mas reduzem tempo de aula

DOURADOS

Foto: DIVULGAÇÃO
Professores voltam a trabalhar, mas reduzem tempo de aula
Professores protestam na sessão da Câmara Municipal de Dourados

HÉLIO DE FREITAS / CAMPO GRANDE NEWS

Os professores e servidores administrativos de Dourados voltam a trabalhar hoje, um dia após iniciar greve por reajuste salarial. A decisão foi tomada em assembleia na manhã de ontem, no Sindicato Municipal dos Trabalhadores em educação (Simted).

A volta às salas de aula foi decidida em função da liminar do desembargador Carlos Eduardo Contar, do Tribunal de Justiça de MS, que na sexta-feira mandou o Simted manter 66% dos professores em sala de aula. Caso contrário, o sindicato poderia ser multado em R$ 50 mil por dia.

De acordo com a presidente do sindicato, Gleice Jane Barbosa, para cumprir a liminar, os professores reduzem o tempo de aula em pelo menos uma hora e meia, já a partir de hoje. Cada escola vai definir o horário, mas o turno da manhã, por exemplo, que começa às 7h, vai começar às 8h30.

Ontem, os educadores protestaram na sessão da Câmara Municipal, que foi antecipada em cinco horas, para que os vereadores pudessem acompanhar a agenda do ministro da Educação, Mendonça Filho.

CRÍTOICAS AO TJ

Gleice Barbosa criticou a liminar do TJ, a qual chamou de “absurda”, e disse que a Justiça mais uma vez interfere no direito de greve dos trabalhadores e assume posição contrária aos interesses dos estudantes. “Estamos lutando pelo direito à educação, pela melhoria das escolas e centros de educação infantil, mas enfrentamos dificuldade para negociar com o poder público municipal”, afirmou ela.

A sindicalista apontou falta vontade da prefeitura em resolver o problema e disse que a prefeita Délia Razuk (PR) nunca participou das negociações, iniciadas em março. “A luta é para o desenvolvimento da educação”, disse Gleice. O Simted anunciou que vai recorrer contra a liminar.

Em nota enviada pela assessoria de imprensa, a secretária de educação - Denize Portollann de Moura Martins disse que decisão judicial deve ser cumprida. “É importante lembrar que a educação não é nossa, não é do sindicato; a educação é da população e para a população. Temos que ter responsabilidade”.

Segundo ela, a direção das escolas terá a incumbência de encaminhar a lista de professores presentes e os que aderiam à greve.

Denize Martins afirmou que o reajuste reivindicado pelos grevistas não ocorre há três anos e que os educadores também protestam contra a “aplicação correta e irrestrita” da Lei 118 do plano de cargos, que reajustou alguns vencimentos e foi taxada de corte de direitos.

NÃO TEM DINHEIRO

“Não é o momento de greve. Não temos verbas orçamentárias para garantir o aumento. Se tivéssemos, desde abril ou, no mais tardar, maio, este aumento teria sido dado. Não há condições devido à situação econômica e o sindicato sabe disso”, explicou Denize.

Gleice Barbosa rebate a alegação de falta de dinheiro e diz que a prefeitura aumentou gastos com nomeações para cargos de confiança e deu reajuste para cargos de alto escalão.