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Naviraí - MS, 23/8/2017
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Brasileiros são acusados de queimar aldeia paraguaia

ÍNDIOS

Foto: ABC COLOR
Brasileiros são acusados de queimar aldeia paraguaia
Casa queimada em aldeia indígena no Paraguai

- Ataque ocorreu na zona rural de Ytakyry, no departamento de Alto Paraná, a 170 km de Sete Quedas (MS); índios acusam usina de querer as terras para plantar cana -

HÉLIO DE FREITAS / CAMPO GRANDE NEWS

Pistoleiros brasileiros são acusados de atacar uma aldeia indígena na zona rural do distrito de Ytakyry, no Alto Paraná, um dos departamentos (equivalente a Estado) do Paraguai. O local fica a 170 km de Sete Quedas (MS) e a 100 km de Ciudad Del Este, que faz fronteira com Foz do Iguaçu (PR).

O primeiro ataque ocorreu domingo (7) e o segundo na madrugada de segunda-feira. Vários barracos foram queimados e a única escola da comunidade foi destruída. Um garoto índio teria sido ferido de raspão no braço por um dos tiros disparados pelos jagunços para afugentar os moradores da área de 120 hectares.

Em vídeo agravado após o ataque, os índios acusam uma indústria de álcool e açúcar do Paraguai de contratar pistoleiros brasileiros para atacar a aldeia. O objetivo seria tomar posse das terras para o plantio de cana. A comunidade 3 de Julho Ysatî tem 20 famílias da etnia Avá Guarani.

CACIQUE SE VENDEU

Os índios acusam o cacique Luciano Acosta Villalba, principal liderança do grupo, de se vender para a Indústria Paraguaia de Álcool. Em troca de dinheiro, ele teria prometido retirar os índios das terras, mas várias famílias se recusaram a deixar a área que ocupam há pelo menos dez anos.

De acordo com o governo paraguaio, tanto a indústria quanto o Instituto Nacional Indígena do país vizinho apresentam títulos das terras em disputa.

Conforme o jornal ABC Color, após o ataque os índios estão desamparados. O advogado Reinaldo Lugo, que representa os índios, acusa o gerente da indústria, identificado como Roberto Sosa, de liderar o ataque.

Ele também acusa a polícia do país vizinho de fazer vistas grossas ao ataque. “Claro que ele nega [ter liderado o ataque], porque é evidente a amizade dele com os policiais que estavam lá ontem e nada fizeram”.

“Há uma ausência total da Polícia Nacional, que ignora as denúncias dos nativos. As autoridades, que deveriam intervir e protegê-los, os abandonaram”, afirmou Reinaldo Lugo.