quinta-feira, 9 de setembro de 2010

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POLÍCIA
IMIGRAÇÃO
Bolivianos lotam ônibus para tentar emprego no Brasil

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Edilson Oliveira
editor@sulnews.com.br

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Um “coiote”, como são conhecidos os encarregados pela entrada irregular de pessoas em países estrangeiros, foi preso neste fim de semana pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) no posto de Terenos, cidade distante 30 quilômetros de Campo Grande.

O paulista Pedro Pablo Cangui, 23 anos, transportava cinco bolivianos na caminhonete S-10 placa BMV-1053, de São Paulo (SP). No dia seguinte, dezenas de pessoas vindas da Bolívia foram abordadas na mesma barreira da PRF, todos em busca de emprego em confecções de São Paulo.
FOTOS - Adriano Hany
Em uma noite, dezenas de bolivianos foram flagrados entrando de forma ilegal no País.
 
Em uma noite, dezenas de bolivianos foram flagrados entrando de forma ilegal no País


Aos policiais, Cangui nada revelou sobre o esquema, no entanto, segundo a PRF, com a ajuda de intérpretes, os bolivianos revelaram que pagariam R$ 1 mil para entrar em São Paulo.

No caso do grupo que viajava na S-10, todos foram deportados, mas a falta de regras mais severas possibilita que centenas entrem com apenas R$ 10,00 no bolso para tentar a sorte no Brasil.

Ônibus cheios, vindos da Bolívia, entram diariamente no País, pela fronteira entre Mato Grosso do Sul e o país vizinho. Na bagagem, os estrangeiros trazem poucas roupas, quase nenhum dinheiro e muita esperança.

Há dez anos, Leydy Choquetiella, 27 anos, deixou a Bolívia e foi trabalhar na capital paulista, onde existem várias confecções. Ela e o marido conseguem juntos angariar R$ 1,2 mil, dinheiro que é usado no sustento de toda a família.

Leydy garante que nunca passou por situações difíceis, no entanto, revela que acompanha pela televisão notícias de confecções onde a mão-de-obra boliviana é explorada. “É triste”, lamenta.

Ela conta que em São Paulo existem muitos compatriotas e sempre os orienta a denunciar casos de escravidão. Embora Leydy garanta as condições sejam boas na fábrica de roupas onde está, em todos estes anos, jamais teve a carteira de trabalho assinada.

Roland Velasco Jailita, 33 anos, é motorista de uma empresa de transporte boliviana, que faz o itinerário Bolívia – São Paulo há um ano e meio. Ele afirma que toda semana segue neste percurso, sempre com veículos cheios de bolivianos.

“Em janeiro e fevereiro aumenta. Na maioria, são rapazes novos que pensam em trabalhar. Pensam que lá (São Paulo) é melhor. No fim do ano estão de volta. Minoria dá certo”, diz Roland.

FRUSTRADOS

Em conversas com bolivianos que voltaram sem conseguir bons empregos, o motorista ouve histórias desanimadoras. “Eles voltam por causa de maus-tratos, porque são escravizados lá”, relata.

Roland revela que a maioria dos bolivianos que está no ônibus vai em busca de trabalho, porém, diz que o motivo da viagem é a visita a familiares. “A história é sempre a mesma. Dizem que vão visitar parentes, que trabalham em confecção, mas sempre estão sem um centavo no bolso”, afirma o inspetor da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Wolney de Almeida Lima.

O policial explica que a situação de todos os bolivianos é regular, pois eles conseguem autorização de entrada junto à Polícia Federal (PF). “O governo poderia fazer uma triagem mais rigorosa na entrada. Devido à crise no país vizinho, elas entram para trabalhar em confecções clandestinas e o resultado é o que o noticiário mostra, muitas pessoas aglomeradas em um quatro onde ficam em condições insalubres”, pontua.

O inspetor Luiz Alexandre Gomes da Silva esclarece que existe o princípio da reciprocidade entre os dois países, pois brasileiros também podem entrar na Bolívia desta maneira. No entanto, ele ressalta o rigor imposto por países europeus, como Portugal, onde brasileiros precisam atender a determinados requisitos, como possuir cartão internacional e levar euros para viagens de turismo.

Ele acredita que, no caso da fronteira entre Brasil e Bolívia, a exigência de passaporte poderia diminuir esta entrada de estrangeiros à procura de emprego.

No posto da PRF em Terenos, das 18 horas às 22 horas de sábado (seis), pelo menos três ônibus lotados traziam como passageiros muitos bolivianos, a maioria jovens.

MAIS HISTÒRIAS

Alex Quirino Lucero, 22 anos, deixou a Bolívia com a esposa Deisy Gabriela Tenorio Redondo, 21 anos, e o filho de 8 meses. O destino também é a capital paulista. Com R$ 50 na carteira e uma autorização de permanência com prazo de 30 dias, ele afirma que visitará familiares. “Passeio”, justifica.

Carlos Quispe Laura, 28 anos, admite que vai a São Paulo para trabalhar em confecção. Ele está há quatro anos no Brasil e tem carteira de estrangeiro.
Carlos garante que recebe por mês cerca de 250 dólares. Uma peça de roupa custa de R$ 5 a R$ 6.

Os salários são pagos conforme a produtividade de cada funcionário, portanto, para chegar a este valor, precisa trabalhar das 7 horas às 18 horas. Os bolivianos que estão na confecção onde Carlos trabalha dormem na fábrica.
Ele conta que divide quarto com outros quatro compatriotas e que, quando vai um casal, ficam apenas marido e mulher em um cômodo.

Mesmo com todas as dificuldades, Carlos assegura que a vida é melhor do que quando estava em La Paz, onde desenvolvia serviços mais duros e ganhava 100 dólares por mês.
 

Fonte: Campo Grande News

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