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O homem que quis ser o mais rico do mundo

Por João José Leal 31/01/2017 - 21:11 hs

* JOÃO JOSÉ LEAL

Eike Batista estava vivendo seu tempo de glória. Em dezembro 2007, fez o batismo do Fleet Pink, seu iate de 85 milhões de reais, 35 metros de puro luxo, coisa nunca vista neste país. Na festa das mil e uma noites cariocas, com direito a shows de artistas e apresentadores de TV famosos, estava o então governador Sérgio Cabral, hoje preso por corrupção, o prefeito eleito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes e muitos outros convidados do mundo dos negócios sem patente política.

Naquela época, a propaganda oficial petista anunciava que a nação já colhia os frutos do crescimento acelerado promovido por um governo a serviço da classe trabalhadora. E Eike Batista, proprietário do império batizado de EBX, surgia no mundo dos negócios como o empresário mais poderoso deste país. Esperto, arrojado e ambicioso como poucos, havia se convertido em companheiro privilegiado de Lula da Silva. No Rio de Janeiro, mais que companheiro, era amigo do peito do governador Sérgio Cabral, o político boa-vida, dos diamantes, das jóias milionárias, dos hotéis e restaurantes de luxo das noites parisienses.

Assim, foi fácil obter empréstimos bilionários junto ao BNDES e vencer intrincados processos licitatórios para obras do PAC, esse plano que acabou acelerando a triste caminhada da nação para a crise que estamos vivendo. Com amigos tão poderosos e a formidável ajuda governamental, Eike Batista viu seu patrimônio empresarial saltar de, 6,6 bilhões de dólares, em 2008, para a fabulosa marca de 34,5 bilhões. Em 2012, já era considerado o oitavo homem mais rico do mundo.

No entanto, não estava satisfeito. Queria chegar ao topo desse campeonato da riqueza acumulada, medida em dólares. Mandou um recado para o mexicano Carlos Slimm, então o mais rico do planeta, dizendo que iria tirá-lo do trono. E assim, o Grande Eike passou a ser referência nacional para investimentos no mundo dos negócios. Entusiasmada, a presidente Dilma esqueceu sua antiga militância anti-capitalista de guerrilheira para dizer, em tom professoral, que “O Eike é nosso padrão e orgulho do Brasil”.

A derrocada chegou cedo e muito rápido. Investigações criminais revelaram que seu império empresarial, financiado por dinheiro público, havia sido construído, em grande parte, mediante fraudes e atos de corrupção. Hoje, Eike Batista, o homem que um dia, não muito distante no tempo, quis ser o mais rico do mundo, está falido. Pior, ainda. Está na prisão, fazendo companhia ao seu amigo Sérgio Cabral.

Certamente, alguma coisa mudou na justiça criminal deste país. 

* JOÃO JOSÉ LEAL é promotor de justiça e professor aposentado.