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A guerra sem rosto: por que ninguém fala da origem dos problemas na Síria?

Para quem tem apenas uma foice, tudo se parece com "fascismo"; mas é o reflexo do espelho!

Por Rodrigo Constantino 16/09/2015 - 16:57 hs

Confesso ao leitor: não tenho paciência com a canalhice. Há poucas coisas que me tiram mais do sério do que gente que posa de “humanitária” demonstrando revolta contra a Europa “fascista” e “xenófoba”, que se recusa a receber todos os milhões de muçulmanos foragidos (entre eles uns tantos terroristas infiltrados), mas não diz uma só palavra sobre a origem do problema, sobre o fracasso do Oriente Médio por conta do fanatismo de seus povos e governantes, que sequer cita o nacional-socialismo que domina a Síria hoje, com o apoio do próprio PT.

Sei que a imagem do garotinho morto na praia é chocante, comovente, o que apenas reforça meu desprezo por quem a utiliza para fazer proselitismo ideológico. Mas por que ninguém cita o que está ocorrendo na Síria? Por que não falam de Putin, o tirano há décadas no poder que dá apoio a esses regimes opressores? Por que não mencionam as parcerias nefastas entre bolivarianos e Irã?

O leitor lembra que o PT, em 2007, assinou acordo de cooperação com o Partido Baath Árabe Socialista? O Baath comanda um regime autoritário na Síria desde 1963 e também foi o partido do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, enforcado em 2006. Pois é: recordar é viver. E agora esses petistas vêm bancar os sensíveis com a situação síria, e ainda apontam para os europeus como responsáveis?

Reparou na repetição da palavra “socialista”? Quando o partido não é socialista, é nacionalista, ou comunista, ou islâmico, e não são coisas excludentes. Mas claro, ninguém quer olhar onde foi que a Síria escorregou, e sim onde ela caiu: no colo da Europa, como um estado falido dominado por socialistas e muçulmanos fanáticos, fascistas da pior espécie. O foco dos “humanitários” é sempre atacar os países mais livres, democráticos, tolerantes, capitalistas. Por que será?

Para quem tem apenas um martelo, tudo se parece com prego. E para quem tem apenas uma foice, tudo se parece com “fascismo”. Quer cautela para proteger as fronteiras do país e evitar a entrada de terroristas disfarçados ou imigrantes que se recusam a se adaptar à cultura que os recebe de braços abertos? Fascista! Mas essa turma da foice, no fundo, faz tais ataques diante de um espelho. Ou o leitor acha que essa gente não parece fascista?

Sei não, mas essa imagem me remete a um sujeito alemão com bigode curto, que ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialista de seu país. Ah, e ele também detestava judeus, achava que deveriam ser “varridos do mapa”. Soa familiar? Troca o bigodinho pela barba longa e não vejo diferença essencial.

Quando você vê gente que defende o regime cubano, a mais longa e cruel ditadura da América Latina, “pregando” a democracia, você sabe estar diante de um hipócrita. E quando você vê gente que faz silêncio sobre os regimes nacional-socialistas islâmicos do Oriente Médio, mas fica revoltada com o “fascismo” europeu que se recusa a abrir todas as fronteiras logo de uma vez, você também sabe estar diante de um rematado canalha.

Essa “guerra sem rosto” ignora muitos rostos conhecidos para atacar certos valores, normalmente os mais elevados que fizeram da Europa o que ela é hoje (sim, é verdade que ela está em crise, pois andou abandonando esses valores por medo, por covardia, por pressão politicamente correta). Resolveram fazer, como disse um amigo meu, uma suruba ideológica com Gramsci, Marcuse e Maomé, e não poderia sair coisa boa disso. Misturaram o que havia de pior em cada um, e eis o resultado: um fascismo religioso que, cinicamente, acusa os democratas liberais de fascistas!